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28/02/2006
A polêmica lei dos erros gramaticais * Licitação ainda sem resultado * Comunicação Empresarial de volta à sala de aula * Banco do Brasil no portifólio
A polêmica lei dos erros gramaticais
A Câmara de Vereadores de Criciúma aprovou por unanimidade no dia 21/02 o Projeto de Emenda à Lei 4.538, de autoria do vereador Itamar da Silva (PSDB), que pretende multar as empresas de publicidade que veicularem outdoors com erros gramaticais, por considerar que “os outdoors que ficam normalmente em locais bem visíveis tem que educar e não deseducar com palavras grosseiras e erros”. Se sancionada pelo prefeito Anderlei Antonelli (PMDB), o artigo 15 da lei passa a ser assim constituído:

Lei 4.538 de 23 de outubro de 2003
Institui normas para publicidade ao ar livre e dá outras providências

Art. 15: Constitui infração punível:

I) A exibição de publicidade:
a) sem licença
b) em desacordo com as características aprovadas
c) em estado precário de conservação
d) além do prazo da licença
e) em desacordo com as normas gramaticais oficiais da língua portuguesa.

A lei causou reação dos publicitários da região. O diretor de arte Dácio Costa Alexandrino redigiu um manifesto que circula pela internet e teve parte reproduzida no A Tribuna deste sábado. "Não sou a favor da deturpação dos valores estéticos nem históricos de nossa língua, mas devo lembrar que a publicidade não está aqui para ditar moda, e sim seguí-la, de forma a ser aceita. Diferente do jornalismo, e mais semelhante à literatura popular, a publicidade faz constante uso da dita liberdade poética." O redator Mauro Fucilini complementa: “Por que uma lei que obriga só aos publicitários saberem escrever? Isso tem que ser uma obrigação de todos. Por que a lei não atinge aos jornalistas, já que todos os dias vemos vários erros nos jornais locais? E os jornalistas são mais formadores de opinião que os publicitários.”

A polêmica maior, no entanto, é: quem vai atestar se a mensagem está ou não dentro das normas gramaticais? A pergunta é pertinente, já que a língua é complexa e suas regras conseguem dividir opiniões até mesmo entre os professores de português da região. É o caso dos diversos outdoors que estão agora nas ruas oferecendo “cursos a distância” e “cursos à distância”. A coluna procurou professores de língua portuguesa, que apontaram versões diferentes para justificar qual deles estava correto, mas de acordo com a maioria (e das gramáticas e manuais de redação pesquisados), o correto é grafar “a distância”, sem crase, quando esta distância não estiver determinada, e “à distância de 10m”, por exemplo, com crase, quando especificada. Porém, um outdoor da cidade com a chamada “Ensino a distância” foi usado como referência na coluna Archimedes Naspolini Filho de 13/02 como exemplo de grafia incorreta. Se a lei entrar mesmo em vigor, para evitar multas as agências deverão seguir a língua de quem?

Licitação ainda sem resultado
Ainda não foram definidas as agências de propaganda que serão responsáveis pelas contas da Prefeitura de Criciúma. As seis concorrentes foram habilitadas para continuar na disputa. A proposta está agora nas mãos da comissão técnica – Ricardo Fabris, Rafael Matos e Eloy Simões - que vai avaliar as campanhas apresentadas pelas agências.

Comunicação Empresarial de volta à sala
A primeira turma da pós-graduação em Comunicação Empresarial da Unesc retoma as aulas no próximo final de semana, 03/03. Para o próximo encontro está previsto o Seminário de Media Tranning.

Banco do Brasil no portifólio
O anúncio que você vê abaixo é da JungleGroup, agência de publicidade brasileira com sede em Londres. A JungleGroup faz parte da Revista JungleDrums, a maior publicação em língua portuguesa do Reino Unido e que atende o Banco do Brasil/Inglaterra há cerca de dois anos. A criação é do diretor de arte Germaá Oliveira, com a redação de Lene de Costa, a colunista. Graças a internet, é possível trabalhar em dupla com profissionais em qualquer parte do mundo e abraçar oportunidades de colocar no portifólio anúncios de clientes como o BB. O anúncio será veiculado também em outras revistas de língua portuguesa do Reino Unido. Germaá Oliveira já trabalhou em agências de Criciúma e Florianópolis e há pouco mais de um ano mora na capital inglesa.

Sul de Santa Catarina no comercial da Renault
O Renault Clio 2006, lançado no fim do ano passado, usou uma trilogia para divulgar o carro. Para quem não lembra, os três vídeos mostram uma história com mocinhas, vampiros e muita correria. Além de apresentar o novo Clio, os filmes deixaram famosos no resto do Brasil alguns lugares bem conhecidos da nossa região: a Serra do Rio do Rastro e o castelo de Lauro Muller. Se você não viu ou não reconheceu o cenário do comercial, pode assistir agora o primeiro filme aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui. (Estão em .mov , você precisar ter o Quick Time instalado).

Sem logomarca e sem explicações
Esse tipo de propaganda ainda vai demorar para emplacar na nossa região, onde todos os dias os profissionais de criação são obrigados a utilizar logomarcas gigantes e dezenas de informações em pequenos anúncios. Criados pela DPZ para o chocolate Sweet Brasil, as peças não trazem nem logomarca do anunciante, nem especificações do produto. A técnica para ganhar o consumidor é deixá-lo com água na boca através de uma imagem ousada e bem produzida, que consegue expressar direitinho o conceito de chocolate que derrete na boca. Outro diferencial da peça é não subestimar a capacidade do consumidor de reconhecer na prateleira e levar para casa um produto que aparece como coadjuvante no anúncio.



Testes em animais
A Publicis Dialog criou para a Associação Holandesa Contra Experimentação Animal uma série de anúncios e vídeos que fazem um apelo para que o consumidor não compre mais produtos testados em animais. Os anúncios mostram animais presos em vidros de cosméticos, com a assinatura: "Diga não a experimentação animal para cosméticos". Tanto a indústria de cosméticos quanto a de medicamentos tem condições de eliminar os experimentos em animais. Há uma série de empresas brasileiras que já não utilizam mais este processo. Entre as marcas conhecidas que ainda testam em animais estão a Assolan (produtos de limpeza) e a Natura. Para ver outras empresas de lista, clique aqui.




Quanto?
Não é novo, mas vale um registro. Nicole Kidman aparece no Guinness Book como a atriz que recebeu o maior cachê por minuto em um comercial de televisão. Ela teria levado nada menos que 3,71 milhões de dólares para ser a estrela do comercial de quatro minutos do perfume Chanel Nº 5. São 928 mil e 800 dólares por minuto. Quem contracena com Nicole no milionário comercial é o brasileiro Rodrigo Santoro, que não teve o cachê divulgado mas certamente recebeu bem menos. Durante o filme a maior referência ao perfume fica por conta da jóia que Nicole usa nas costas, cena que foi reproduzida para os anúncios que veiculam no mundo todo. Para assistir ao comercial, clique aqui, para assistir a versão reduzida. O filme de quatro minutos foi exibido apenas nos cinemas.


Fale com a colunista: lenecri@gmail.com



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