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| Colunistas > Alexandre Cabreira > Divagações sobre o tempo... |
Alexandre Cabreira

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| 05/09/2008 |
| Divagações sobre o tempo... |
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Se a linha reta é a mais curta entre dois pontos fatais e inevitáveis, as divagações a prolongarão: e se essas divagações se tornam tão complexas, tão emaranhadas e tortuosas, tão rápidas que não deixam rastro, talvez a morte não nos teste mais; talvez o tempo se perca e possamos ficar ocultos nos esconderijos mutáveis...
Que tal brincarmos um pouco com o tempo?
O tempo – afirmou Heráclito – é um jovem a brincar.“ O tempo passou na janela – só Carolina não viu, diz o lamento de Chico Buarque.
Que cada um, então,fecunde o seu tempo segundo suas próprias vocações criativas, de modo que prossiga eternamente o itinerário do homem, que ama entrelaçar os mundos fantásticos da aproximação com os universos concretos da precisão; as linhas retas, saxônicas, peremptórias, com as linhas curvas, latinas, livres e sensuais.
Será que um dia mais longo resolveria nosso problema? Não estaríamos dentro de pouco tempo, tão frustrados quanto nos encontramos hoje com nossa porção de vinte e quatro horas? Dificilmente escaparíamos do princípio de Parkinson, segundo o qual: “O trabalho se expande até preencher todo o tempo disponível”.
Quando paramos o suficiente para pensar e analisar os fatos, descobrimos que o dilema é muito mais profundo do que mera falta de tempo. Basicamente, é um problema de prioridades, absolutas ou não...
É fatalmente irreversível: nenhum esforço humano o pode deter, retardar ou acelerar. Tudo, com movimento perpétuo e revolução perene, passa e vai passando.
Shakespeare classificou a existência humana em sete períodos. Sábios e pensadores, analisando a trajetória do homem neste mundo, vêm tecendo considerações sobre o tempo e indagam: - Onde estamos? - Para onde vamos? - Que podemos saber? - Que devemos fazer? - Que nos é lícito esperar?
Eis aí problemas fundamentais intimamente relacionados com o tempo. Seja qual for a solução, cada um joga com um período de vida que lhe é outorgado para levar a bom termo o fim supremo de sua existência.
O gênio de Aristóteles deixou esta definição: "O tempo é o número (soma) do movimento, segundo o anterior e o posterior". Daí a distinção entre o tempo cósmico, histórico e existencial, de tanta importância e conseqüências. Está simbolizado por uma linha dirigida para o futuro, para a novidade.
O tempo existencial não se calcula matematicamente. Seu curso depende da intensidade com a qual se vive nele, depende de nossos sofrimentos e de nossas alegrias".
Não se mede nem se avalia uma existência pelo número de anos, nem pelo período histórico, mas, sim, pela vivência plena e intensa...assim penso eu...
Contato com o colunista: websemantica@hotmail.com www.alexandrecabreira.com.br
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