Rádio Criciuma

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Reportagem especial: Ronaldo Coutinho, o homem do tempo
Geral - 05/04/2009 - 09h08min

Como é a vida do maior fenômeno em previsão do tempo.

Ele passa praticamente o dia todo na frente do computador. Não olha apenas para sua cidade, sua região, mas pro mundo todo. Têm seis cachorros, 13 gatos, seis coelhos, cinco tartarugas, e ainda algumas galinhas e peixes. Não tem medo de “peitar” ninguém. “Não tenho chefe”, fala com certa ironia e humor. Ele seria um funcionário rebelde, se tivesse. E se formos analisar bem, ao ouvi-lo todos os dias, ele é um pouco rebelde mesmo. “Um amigo meu me diz que às vezes eu falo besteira, mas ele continua sendo meu amigo”, conta o “homem do tempo”, Ronaldo Coutinho do Prado, engenheiro agrônomo. Este nome tornou-se sinônimo de confiança no que diz respeito à previsão do tempo. Ele conquistou não só o público em geral, mas jornalistas, empresários e agricultores, que recorrem a ele quando precisam tomar decisões importantes. A casa dele, e a empresa, tornaram-se porque não dizer, um ponto turístico em São Joaquim.

Adorado por uns, odiado por outros, ele fez da paixão de infância sua profissão. Ficou ainda mais conhecido em função do Furacão Catarina. Coutinho, 44 anos, tem uma vida tranqüila. Pelo menos no que diz respeito à família. A união com Neide foi rápida como um raio. Foram 25 dias entre se conhecer e casar. A história pode parecer loucura pra uns, mas não pra eles que vivem felizes há 12 anos e têm dois filhos, Bianca de sete e Guilherme de dois anos. “Trabalho no que gosto, tenho as quatro estações do ano e uma bela família”, conta com muito orgulho.
Coutinho olhava para o céu desde pequeno e fazia anotações sobre tudo que dizia respeito ao tempo. E assim, foi aprendendo a respeitar o assunto, e mais tarde ser respeitado. Antes de se formar, Coutinho já fazia estágio na antiga Empasc, atual Epagri. Ainda em Florianópolis, foi um dos responsáveis pela criação do Climerh, onde ficou até 1995. Mais tarde, em Fraiburgo, trabalhou no combate ao granizo. Tempos depois, voltou pra Florianópolis, sua terra Natal, e em 1998, foi definitivamente pra São Joaquim. “Gosto de frio, só uni o útil ao agradável”, fala.

Diariamente, são mais de 30 rádios que apostam na credibilidade de Coutinho. Na TV, ele está sempre ao meio-dia na Rede Record para Capital e região de Blumenau. Nas segundas e sextas-feiras, também faz a previsão pelas manhãs. Sem contar as inúmeras pessoas que ligam pedindo dicas. Agricultores, cooperativas, empresas e lojistas, só pra citar alguns. A confiança é tão grande, que o dono de uma confecção, só faz o estoque da estação depois de ligar pro Coutinho. A faculdade de agronomia ajudou, mas foi com a experiência e intuição que ele desenvolveu toda a sua credibilidade. Também conta com o meteorologista da sua empresa, a Climaterra. Passa os dias olhando modelos numéricos, que são mapas que contém campos de pressão, temperatura, vento e uma série de outros parâmetros. “A intuição também conta. Dá pra pressentir quando um modelo está errado ou subestimado”, comenta, afirmando que a troca de idéias com o meteorologista é fundamental. Ele também olha o tempo na rua, observa árvores, tipos de nuvens. “Tudo é observação. Até as árvores ajudam. Plantas que brotam mais cedo ou mais tarde. Se as andorinhas não aparecerem, pode significar alguma coisa, como frio mais rigoroso e antecipado, isso para previsões de longo prazo”, avalia. A Climaterra, sediada em São Joaquim, funciona ao lado da sua casa, em um chalé menor. Um geógrafo, Homero Haymussi e um meteorologista, João Luis Valter Rolim, são seus companheiros de trabalho.

Depois do Furacão Catarina, todos olham com mais atenção pro céu e os sinais que ele dá. Termos como frente fria, ciclone extratropical, massa de ar frio, tornado, centro de baixa pressão ou de alta, milímetros de chuva, passaram a fazer parte do vocabulário da maioria das pessoas. Não é muito fácil entender a diferença e o significado de cada um. O que todos querem saber mesmo, é se vai chover ou fazer sol, frio ou calor. Em uma aula rápida com Coutinho, dá pra saber que nem sempre frente fria significa chuva ou frio. “A temperatura cai, mas pode passar uma frente fria seca, por exemplo,”, explica. Sistema de alta pressão é sinônimo de tempo bom em linhas gerais. De baixa pressão, lá vem a chuva e o vento. E por falar em chuva, você se importava com a quantidade de milímetros de chuva há quatro anos? Pois saiba, que se chover apenas cinco milímetros em um minuto, Criciúma pode ter aqueles velhos e conhecidos transtornos. Coutinho afirma que esta quantidade traz problemas maiores do que uma chuva de 100 milímetros em 24 horas. “O importante é saber em quanto tempo essa chuva vai cair”, afirma Coutinho. Os modelos de previsão quase nunca acertam a quantidade em milímetros de chuva, mas dão uma noção do quadro.

“Em São Joaquim a chuva aumentou nos últimos anos, cerca de 100 mm/ano, mais ou menos como se fosse um mês a mais por ano”, afirma. Coutinho acredita que estas constatações façam parte de ciclos da terra. Os tornados, por exemplo, não se tornaram mais freqüentes. “Eles sempre existiram. A diferença é que hoje todos têm uma máquina digital na mão pra fazer o registro”, avalia Coutinho. Ele aproveita pra explicar que ciclone extratropical, furacão e tornados, são todos ciclones. A diferença está na origem e no tamanho. “Sempre tivemos tornado, mas por falta de estudo e conhecimento sobre o assunto, denominavam como lufada de vento ou redemoinho”, comenta. E há 30 anos, a população era bem menor, portanto a possibilidade de atingir uma casa ou comunidade também, se compararmos com os dias de hoje. Coutinho diz que o centro-sul do Brasil, norte da Argentina, Paraguai e Uruguai, é a segunda região do mundo em ocorrência de tornados, sendo a América do Norte a primeira. O nosso relevo é uma cópia do relevo da America do Norte, só que em escala bem menor.

Será que teremos outro Catarina? “Pode ocorrer de novo, mas não se sabe quando. Há suspeitas de que na década de 20, ocorreu um em Santos (SP) e também em Balneário Camboriú, pelas descrições”, conta. Coutinho cita ainda outra suspeita em 1963 em Montevidéu. Como não havia imagem de satélite nestas épocas, podem ter sido apenas eventos ocasionais, como em Santa Catarina. “Nosso oceano não é tão favorável. Naquele ano, 2004, vários fatores contribuíram para a formação do Catarina, como uma grande estiagem, por exemplo,”, afirma. Só Coutinho, a empresa Climatologia Urbana de São Leopoldo e o Climerh, atual Ciran, órgão ligado ao governo de Santa Catarina, “deram a cara a tapa”, ao afirmar que aquela furiosa tempestade era na verdade um furacão. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) levou mais de um ano para reconhecer como furacão, e ainda assim com algumas ressalvas. “Para não dar o braço a torcer”, emenda Coutinho. Mas o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), autoridade norte-americana para monitoramento de ciclones, afirmou que foi um furacão categoria 1. Coutinho acredita que ele entrou como categoria 2. “Os americanos tem muito mais experiência nessa área do que nós brasileiros. Em quem vamos acreditar?”, enfatiza.

Ao fazer a previsão de que um furacão estava se aproximando, Coutinho ganhou amigos e inimigos. Foi criticado, ouviu absurdos, como a jornalista que afirmou que era um “furaquinho” que renderia no máximo boas ondas para os surfistas de Santa Catarina. Independente das gafes cometidas da época, e provavelmente da raiva que ele sentiu, Coutinho ligou pra tudo e todos que podia para avisar da extensão do fenômeno. “Nessa hora não se pode pensar em nada. Estamos lidando com vidas, é preciso avisar a quem interessa”, emenda. E aproveita pra perguntar o que foi feito depois do Catarina em termos de prevenção. “Passaram-se cinco anos, e ninguém lembrou, tão pouco aconteceram ações de prevenção ou de estímulo para construção de abrigos subterrâneos para se abrigar de tornados, ou ações do gênero”, enfatiza. Pelo jeito, é torcer pra fúria da natureza poupar Santa Catarina.

“Enquanto isso ficam discutindo sobre aquecimento global. Onde? Estamos em processo de resfriamento. Faz cinco anos que a temperatura global começou a cair”, avalia com a certeza de que interesses econômicos estão por trás do assunto. Coutinho afirma que a Terra está em processo de resfriamento, e o sol com uma atividade baixíssima, e isso é preocupante. “As pessoas não tem memória. Entre 1800 e 1900 aconteceram eventos climáticos que deixam os de hoje no chinelo. Em 1819 teve geada no Sul de Goiás em pleno 19 de janeiro”, conta. O assunto aquecimento global pode ser tema de outro bom papo com o fenômeno do tempo, que mesmo com toda sua experiência, afirma que na verdade, não sabemos nada sobre clima.

Texto: Carla Giassi
Fotos: Carla Giassi e Arquivo pessoal Ronaldo Coutinho

 





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