Feministas protestarão durante visita do papa contra marginalização das mulheres pela Igreja Católica Protesto - 05/05/2007 - 20h57min
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Brasília - Em sua visita ao país na próxima semana, o papa Bento XVII será recebido pelas mulheres brasileiras com protestos em diversas cidades. Elas vão se reunir em frente às igrejas matrizes das capitais e na Catedral da Sé, em São Paulo, para manifestar seu descontentamento com o posicionamento conservador da Igreja Católica em relação às mulheres.
De acordo com a socióloga Dulce Xavier, do movimento Católicas pelo Direito de Decidir (referência à posição do grupo em relação ao aborto), elas vão entregar um documento e erguer uma faixa com questionamentos ao papa. Para Xavier, o líder maior da Igreja Católica não reconhece o poder político das mulheres na igreja e na família, delegando a elas apenas a tarefa de ser mãe.
“A visão é sempre a de que as mulheres devem estar a serviço da Igreja, mas não existe a menor perspectiva de ordenar as mulheres, que seria o acesso à palavra, o poder de decisão dentro da igreja”, reclama ela, em referência ao fato de as mulheres ainda não poderem exercer o sacerdócio dentro da Igreja Católica.
A ativista também critica a interferência da igreja no Estado brasileiro. Segundo ela, isso acontece porque a igreja não têm conseguido passar seus valores aos católicos. “A igreja, como não consegue a obediência dos seus fiéis, usa o poder de influência que tem na sociedade para pressionar o estado a acatar as normas e regras que ela acredita que são importantes, para obrigar toda a população a cumprir, através de uma lei, de uma política pública, o que ela não consegue impor nem para os seus próprios fiéis”, afirma.
Para ela, o Estado brasileiro, por ser laico, deveria respeitar as diferentes expressões religiosas. Xavier argumenta que a sociedade brasileira considera normal essa interferência. “A influência da igreja sobre o estado, para a maioria da população, é vista como uma coisa mais ou menos boa, porque, afinal de contas, a igreja tem boa intenção, e as pessoas não se lembram que há uma separação oficial entre igreja e Estado”, diz Dulce Xavier.
Embora reconheça a importância da visita do papa para os católicos brasileiros, a expectativa da militante é que o pontífice apenas reforce o pensamento conservador em relação a diversos assuntos, inclusive sobre as mulheres.
(Sabrina Craide, Repórter da Agência Brasil)
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