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Zilda Arns condena violência e sugere que os ricos abram os seus corações
Geral - 20/06/2008 - 17h25min

A violência dos 11 militares do Exército no Morro da Providência, no Rio de Janeiro é mais um resultado de diversas condicionantes sociais, entre elas a má formação de jovens no Brasil, afirmou a coordenadora internacional das Pastorais da Criança e do Idoso, médica Zilda Arns, ao receber hoje, 20, o título de doutora honoris causa da Unisul, em Tubarão (SC). Ela conclamou o governo e a sociedade a apostarem na educação de qualidade como solução para os graves problemas sociais do Brasil e sugeriu que os ricos abram seus corações para se tornar solidários com as causas sociais.

– No Paraná, instituímos a contribuição voluntária através da fatura de energia elétrica. Recebíamos por mês cerca de R$ 300 mil. Até que o governador Requião isentou os pobres de pagar energia. E a nossa receita foi a zero. Isto demonstra que os pobres é que apostam na solidariedade, enquanto que ricos não se sensibilizam com isso – lamenta.

– Se cada membro da classe rica e da classe média se dispusesse a dar R$ 5,00 por mês, estaríamos salvando mais crianças e jovens que morrem todos os dias – sugere.
A médica e sanitarista Zilda Arns integra a Cátedra Participação e Solidariedade, criada pela Unisul para ampliar estudos e discussões sobre a necessidade de humanização das sociedades. Ela observou que o Brasil avançou bastante nas estatísticas ao lembrar que a média de filhos hoje é de 2,1 por mulher contra 6,8 em 1975. Contudo, salientou, estamos ainda longe de um cenário ideal.

A candidata ao prêmio Nobel da Paz disse que o risco de se perder o controle sobre a violência urbana aumenta ainda mais quando o Estado não tem a confiança do povo, não combate a corrupção e deixa impunes as redes criminosas.

– Os prefeitos eleitos, por exemplo, deveriam no primeiro dia de gestão diagnosticar os bolsões de pobreza e investir na dignidade humana, com escolas de qualidade e ajuda às famílias. Só assim é que poderemos salvar o nosso país.

Em sua opinião, o erro é continuarmos a achar que a família não precisa aprender a criar seus filhos. Antigamente, bater no filho era uma forma equivocada de educar, mas havia uma aceitação. Hoje é diferente e os pais continuam maltratando os filhos que acabam se tornando seres violentos.

– A prostituição infantil e a pedofilia só serão abolidas na sociedade quando houver escola de qualidade e famílias estruturadas – indica.

– A criança bem educada com amor até os seis anos, com certeza se torna uma pessoa ética e humana. É preciso que o Brasil invista nos valores culturais para que essa juventude cresça com referências. Nossas pesquisas indicam que as milhares de crianças amparadas pelas pastorais exercem a cidadania com ética e dispostas a estudar e crescer com dignidade. Se houvesse mais redes de solidariedade, com certeza seríamos uma nação bem melhor – aposta.

Zilda Arns entende que as soluções dos problemas sociais passam necessariamente por administrações municipais eficientes.

– Se as cidades se preocuparem com a sua população, o problema social brasileiro estará sendo resolvido. Eu nasci em Forquilha (SC) e éramos 13 irmãos. Não havia energia elétrica, mas dispúnhamos de água potável, de ambiente saudável e de uma boa escola. Hoje há melhores condições para as cidades se estruturarem e os governos investirem nos professores e nas escolas. O professor precisa ser melhor remunerado e reciclado periodicamente – explica.

Indicada novamente como candidata ao Prêmio Nobel da Paz, Zilda Arns pondera que o melhor prêmio é o de estarmos impedindo que cerca de cinco mil crianças morram por ano no Brasil.

– O Nobel é prêmio político, enquanto que a Pastoral é um prêmio de amor, de solidariedade, de que precisam os povos do mundo interior – afirma.

(Rafael Matos)



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